terça-feira, 13 de maio de 2008

No contexto da contra-cultura da cultura da violência : Efeitos do Processo Educativo de ONGs diante da Violência Juvenil

Pesquisadora Responsável: Armgard Lutz

Esta pesquisa objetiva estudar os efeitos de processos educativos organizados por ONGs – Organizações Não Governamentais – através de projetos sociais endereçados a jovens em situação de vulnerabilidade social, agentes ou objeto de violências. O recorte dos efeitos detém-se nas possibilidades de alteração nas representações dos jovens sobre violência com a qualidade de alteração/intervenção na realidade em que transita e ou em sua subjetividade e nas relações das práticas cotidianas. Compreende-se que a violência sofrida e ou praticada por jovens em situação de vulnerabilidade social apresenta múltiplas e complexas origens na mesma medida em que produz impactos com caráter de marcas, estigmas e julgamentos nas vidas dos jovens. A violência juvenil é foco de atenção da sociedade através da rede de proteção agindo muito mais como controladora, julgadora sob a tensão do desejo de mudar os jovens. O desejo de mudar os jovens desencadeia ações e processos educativos adultocêntricos, com ou sem a participação deles, e em havendo a participação ela pode estar atravessada pela tolerância nefasta. Suas necessidades, conflitos, formas de aprender e de posicionar-se diante dos desafios da vida não são tomados como ancoragem das propostas a eles direcionadas. Argumenta-se sobre o poder juvenil na medida em que produz cultura, toma decisões esclarecidas sob um olhar que rompe com paradigmas e limites tácitos e permite intervir na realidade especialmente através da apropriação da educação em direitos humanos. Toma-se a individuação - conceito apresentado por Alberto Melucci – e a visibilidade/invisibilidade frente a diferenças – segundo Deleuze, como conceitos chaves. A explicitação conceitual converge para a problematização das violências a que se vinculam os jovens, que sofrem especialmente pelo preconceito e indiferença; reflexão sobre outras possibilidades de atuação e pertencimento a partir da elaboração criativa praticada por eles. Busca-se acionar a reflexão mediante a metodologia etnográfica utilizando a entrevista com grupos focais de jovens participantes de projetos sociais e de não participantes; entrevistas individuais com jovens dos distintos grupos e dos agentes do processo educativo.

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